
A ideia de que um ambiente de trabalho e de que nossa rotina cotidiana precisa ter como característica a constante exaustão como um marco de êxito, tem gerado um cenário bem assustador quanto ao crescimento dos casos de síndrome de Burnout no Brasil e mesmo no mundo. Por isso, no artigo de hoje falaremos como evitar a Síndrome de Burnout em ambientes corporativos.
As pessoas geram padrões irreais de perfeccionismo e criam mentalidades de constante enquadramento em modelos ideais de personalidade.
Há uma receita de sucesso para tudo: Como criar empresas eficientes e com equipes de alta performance, como ser uma pessoa feliz e atingir suas metas. Até mesmo para que alguém sinta satisfação no simples, encontramos metas elevadíssimas e bem distantes da essência de cada pessoa.
Essa busca desenfreada pelo perfeccionismo e por metas irreais, tem alterado significativamente a saúde emocional e psicológica de muitas pessoas.
Não importa o cargo ou o gênero, a sobrecarga ocasionada pela vida profissional atinge a todos com uma dinâmica em que o constante estresse e a pressão excessiva anulam qualquer resquício de bem estar e qualidade de vida.
Todos os dias continuarão a surgir inúmeros métodos que fomentam a famosa alta performance em tudo que precisamos fazer. Não que isso seja ruim, mas, quando o método e as atividades diárias na rotina da empresa ingressam num padrão mecânico que anula o indivíduo em sua saúde integral (mente e corpo) , o método já deixa de ter alta performance! Já deixa de ser adequado.
Como a Síndrome de Burnout surge na vida dos colaboradores
A Síndrome de Burnout nasce justamente disso! A busca incansável pela perfeição profissional. Ela é caracterizada por um estado de tensão emocional e estresse que tem direta relação no modo como tocamos nossas atividades diárias em nosso trabalho e em nossos projetos profissionais.
Quando as pessoas imergem em uma rotina de cobranças emocionais abusivas, expectativas demasiadas sobre resultados, medo de errar, excesso de controle sobre a execução das atividades, gera uma demanda de cargas negativas que afetam o mental, o físico e o emocional do funcionário.
O cérebro é como uma máquina no que se refere a processos bem desenhados e, tal qual um equipamento, também sofre pane. A Síndrome de Burnout chega como sinal de esgotamento. Quando um colaborador sofre com a Síndrome, ele não consegue utilizar bem sua energia e não administra bem suas capacidades. Mais do que isso, demonstra desconhecer seus próprios limites quando permite que chegue a tal ponto.
Você pode ajudar seus funcionários a identificar quando o estresse e a pressão começarem a atrapalhar sua saúde, e assim poderá evitar a Síndrome de Burnout em sua equipe.
Não fazer pausas pode afetar a saúde dos colaboradores
Uma rotina é envolvida em cargas horárias de trabalho excessivas, ideais elevados além dos recursos disponíveis, cheia de ansiedade e pouco descanso e autocuidado. Por esse motivo, muitas pessoas adoecem. O esgotamento que começa no cérebro afeta toda a saúde e a vida profissional, se expandindo para a vida familiar e convívio social.
Tudo que sofre uma sobrecarga tende a parar, a quebrar. Com os seres humanos não é diferente. Quando pequenas tarefas começam a dar sinal de insatisfação, não há mais prazer em realizá-las.
O desinteresse que a Síndrome de Burnout traz, não é um desinteresse causado pela preguiça, mas sim, um sintoma de escassez interna. Quando um funcionário utiliza todas as suas energias físicas e mentais, sem pausas de reposição, sem equilíbrio e sem cuidado, tende a chegar a um esgotamento total. Por si só, torna-se insustentável.
O esgotamento intelectual aparece com os lapsos de memória até mesmo naquilo que estamos acostumados a fazer continuamente. Quando isso ocorre, o colaborador começa a ver aquela imagem de eficiência construída sobre si mesmo se quebrar, trazendo total instabilidade emocional. Quando a situação atinge esse ponto, muitas vezes o funcionário se recusa a enxergar que está doente e que precisa de cuidados.
O organismo sempre se comunicam emitindo sinais de alerta de como estamos gerindo nossa rotina. Porém, com a correria e uma agenda sem limites de compromissos, vamos deixando esses alertas de lado. Dessa forma, esses sinais vão se acumulando, até que se tenha um esgotamento emocional.
Conforme os sintomas surgem em meio às atividades excessivas são inseridos num quadro de normalidade: Tomar remédios constantemente para dores de cabeça, remédios para dormir, dores de estômago prolongadas, etc. Cabe entender que se realmente estivessem saudáveis de fato, não precisariam medicar para cada ação, incluindo uma noite de sono tranquila. Se a pessoas tiver o mínimo de autoconhecimento e for honesta consigo, saberá que algumas coisa em sua saúde física ou mental, não vai bem.
Quando um colaborador está enfrentando problemas, como a Síndrome de Burnout, por exemplo, os dias viram verdadeiras batalhas e maratonas. Haja visto que ao sair de casa, já seguem com a ideia de ir à luta. Isso demonstra que um simples pensamento já cria um propósito de tensão em seus afazeres profissionais.
Para muitos profissionais essa exaustão é tida como algo normal e que faz parte de suas rotinas. Geralmente aquele que expõe que não está bem, que há algo de errado em relação às pressões relacionadas a vida profissional, muitas vezes se depara com julgamentos de fraqueza, medo ou frescura diante de “novos desafios”.
Sobrecarga profissional pode causar a Síndrome de Burnout
Hoje em dia com as novas tecnologias, há possibilidade de constante comunicação e excessiva presença em relacionamentos profissionais muitas vezes conflituosos. Mesmo que à distância, são horas e mais horas pós expediente em uma novas forma de trabalho sem horários bem determinados. Tudo isso traz pressões e inquietações a vida dos profissionais.
A questão não é que a pessoa não esteja aguentando a responsabilidade de sua função, é que naquele momento, seu esgotamento por repetidas situações de estresse acumuladas, está evidente.
Por mais dedicado e eficiente que um funcionário seja, caso ele não saiba lidar com seus limites pessoais e se cada empresa não se ocupar do entendimento e da responsabilidade de que o ambiente de trabalho precisa de colaboradores saudáveis e satisfeitos, não existe “êxito” para ninguém.
Profissões que mais sofrem com a Síndrome de Burnout
Algumas profissões estão mais suscetíveis a um quadro de doença psíquica. Neste caso, as profissões que exigem mais relacionamentos interpessoais, profissões de risco, contato direto e constante com outras pessoas, são as mais suscetíveis.
Por isso, segundo estatísticas, professores e policiais, são os profissionais com maior predisposição a sofrerem com a síndrome de Burnout.
Juntamente a eles, estão os colaboradores da área da saúde, recursos humanos, agentes penitenciários, assistentes sociais e mulheres que precisam lidar com jornadas ampliadas entre empresa e casa.
Principais sintomas da síndrome de Burnout
- Baixa autoestima frequente e o sentimento de incapacidade dominante e paralisante
- Agressividade ao pensar sobre si, sobre o outro, ao responder e no trato com aqueles que convive
- Ausências
- Isolamento e afastamento – Silêncio barulhento internamente
- Irritabilidade por coisas mínimas
- Pouca ou nenhuma concentração
- Lapsos de memória
- Ansiedade e depressão
- Pessimismo, desânimo, cansaço extremo
- Oscilações e mudanças bruscas no humor
Além desses sintomas, fisicamente existe a presença de dores de cabeça, sudorese e palpitações, dores no corpo, mesmo sem esforço físico, insônia, alteração de pressão, problemas de digestão.
Tudo que começa na mente atinge o corpo. O corpo, então, volta a alimentar a mente com uma gama de preocupações, tensões e medo. Vira um ciclo desgastante e que afasta colaboradores e gestores de suas potencialidades e atividades.
Toda a vida pessoal e social também é afetada. Então, temos uma patologia que começa muitas vezes na empresa e impacta a vida externa do colaborador de maneira ampla e dolorosa. Quando o ambiente familiar, o que é menos comum, gera algum problema, o colaborador leva os reflexos para a empresa.
Como observar a presença de motivadores que podem levar a um distúrbio psíquico, no ambiente de trabalho?
Ainda que um ambiente de trabalho lide com prazos e limites de tempo, com a pressa e com oscilações de humor, é preciso conhecer bem seus funcionários para compreender e respeitar o limite de cada um.
Sugerir auto observação a seus colaboradores pode evitar o esgotamento. Sendo assim, instigue que seus colaboradores saibam identificar seus limites através de reflexões como:
- Até que ponto você consegue ir e quando não consegue mais?
- O que sente quando chega para executar seu trabalho?
- Como você volta para casa: Mais feliz ou mais emocionalmente abalado?
Se auto observar, observar as emoções que uma situação/ambiente desencadeiam, ajuda a criar uma distância adequada, proporciona a capacidade de discernimento e escolha, promove o respirar e a calma.
Auto percepção é como um semáforo que diz quando se deve parar e quando é seguro prosseguir. Por isso, se um colaborador não conhecer como ele mesmo funciona, ficará mais expostos ao descontrole e não conseguirá se preservar daquilo que é nocivo.
Como evitar a Síndrome de Burnout através de boas escolhas
Todos os dias as pessoas estão consumindo e produzindo conteúdo. As pausas, ao invés de serem utilizadas para respirar, contemplar silêncios leves e relaxantes, são substituídas pela necessidade de informação. A energia das pessoas é consumida de forma incessante. O cérebro não tem oportunidade para que exista relaxamento, restauração, descanso. É como uma overdose de inquietações, muitas vezes desnecessárias.
Escolher bem como e onde colocar atenção garante uma blindagem essencial para a saúde mental, emocional, física. Não é necessário consumir todas as informações o tempo todo, momentos de pausa são vitais para o bom funcionamento do organismo.
Como evitar a síndrome de Burnout nas empresas
Uma empresa precisa ser um espaço de atenção e de observação. Um espaço que se abra para a escuta de situações e necessidades de seus colaboradores. Cada empresa deve zelar para que a saúde seja uma estrutura importante em sua trajetória.
Quando há suporte e profissionais capazes de perceber o que está acontecendo de maneira séria, ações preventivas e restauradoras podem ser colocadas em prática.
Encaminhar o colaborador para tratamento e orientação é imprescindível. Levando-se em consideração que a Síndrome de Burnout pode gerar afastamentos – já que é algo muito sério – podendo se tornar até mesmo incapacitante.
Por isso, é importante que a empresa saiba como evitar a Síndrome de Burnout em ambientes corporativos.
Como é o tratamento?
A pessoa que sofre com a Síndrome de Burnout pode necessitar o uso de medicamentos e acompanhamento psicológico constante.
É preciso frisar que o diagnóstico é clínico. Há todo um olhar e estudo sobre a rotina do colaborador: Qual é sua história? Qual é seu nível de satisfação e bem-estar no ambiente de trabalho? Qual é sua profissão e suas rotinas nesta profissão?
Existem questionários voltados a essa análise e que geram um quadro para que ações de cuidado sejam implantadas. Assim, é possível buscar soluções de como evitar a Sindrome de Burnout.
A presença de uma equipe multidisciplinar composta por psicólogos, médicos, profissionais de arte terapia, educadores físicos, formam uma boa rede de apoio e cuidado para o colaborador.
Cada pessoa é única. Por isso, através do diagnóstico clínico, os profissionais podem atuar com base em relatórios e necessidades de cada pessoa.
Cuidar da saúde de seus funcionários, estando atento a possíveis mudanças de comportamento de seus colaboradores, é uma maneira de demonstrar cuidado e atenção à saúde de sua empresa. Além disso, ao zelar pela saúde dentro do ambiente corporativo, você estará evitando que seus funcionários sejam vítimas da Síndrome de Burnout.
O cenário já existe, o que cada empresa precisa agora, é garantir que o espaço de trabalho não seja palco de infelicidade. A Síndrome de Burnout vem de um forte movimento de frustração que vai se ampliando e consumindo talentos.
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